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E-book dá dicas sobre como ONGs podem usar melhor o Facebook

Posted on quinta-feira, 2 de março de 2017
Estima-se que até 85% das informações acessadas pelos internautas todos os dias tenham sua origem no Facebook. Então, não é segredo que seja uma excelente mídia para divulgação de causas e ações sociais. E isso se reflete no fato de que mais da metade das organizações sem fins lucrativos possuem uma página ou perfil nessa rede social.

No entanto nem sempre todo potencial é atingido por falta de experiência e planejamento. O e-book Dez erros e dez acertos das ONGs no Facebook é para ajudar essas entidades o aproveitarem melhor. O livro foi escrito pelo jornalista André Alves, que tem 18 anos de experiência no Terceiro Setor e 8 anos em mídias digitais, e criador do projeto Conteúdo para ONGs.

De maneira bastante prática, é apresentado o que muitas entidades estão fazendo de forma eficiente e o que não funciona muito bem. Por exemplo, criar uma página ou perfil na rede? Os perfis do Facebook são para as pessoas físicas. As páginas são para as pessoas jurídicas (empresas, organizações da sociedade civil), artistas, personalidades e até mesmo causas.

E essa não é uma diferença pequena. No perfil, você adiciona amigos e há limite de quantos adicionar. Na página, as pessoas curtem e não há um limite para isso. E mais: pode haver vários administradores ou uma pessoa pode administrar várias páginas de uma só vez.

Outro fato corriqueiro é de as entidades usarem as redes sociais apenas para publicarem notícias e sugestões de pauta. E postam o link e pronto. Nada muito atraente, não? O ideal é que sim, publique-se a notícia, mas antes interaja com seu leitor, chame a atenção para o conteúdo, assim como o assessor faria (ou deveria fazer) quando envia um release para um veículo de comunicação.

Com estas e outras dicas do e-book espera-se que as entidades melhorem de forma significativa o alcance no Facebook e trazendo mais credibilidade às suas ações.

Para fazer o download do e-book acesse: www.conteudoparaongs.com.br

Políticas de controle do desmate dependem da fatia do agronegócio no PIB

Posted on sábado, 18 de fevereiro de 2017
IPAM - Um estudo publicado na última edição da revista “Global Environmental Change” indica que a efetividade de políticas de controle do desmatamento é inversamente proporcional ao peso do agronegócio na economia de um país, pelo menos na América do Sul. Já eventos que envolvam a sociedade nessa discussão fortalecem estratégias de conservação.

Essas são algumas das conclusões obtidas pelos autores, nesta que é a primeira comparação já feita sobre a eficácia desse tipo de política em fronteiras de produção de commodities. O trabalho foca a Amazônia brasileira, o cerrado, o Chaco argentino, o Chiquitano boliviano e a mata atlântica do Paraguai.

Além do tamanho do agronegócio no PIB do país, também foram levadas em consideração questões como posse da terra, influência do mercado consumidor europeu, políticas voluntárias de conservação, valor ecológico dos biomas, existência de leis florestais e pressão social decorrente de situações extemporâneas – como o assassinato da freira Dorothy Stang em 2005, que acelerou a designação de 3 milhões de hectares de áreas protegidas no arco do desmatamento da Amazônia.
“A análise criteriosa da adoção e do impacto de políticas pode ajudar a construir evidências empíricas sobre como resolver o desafio global de reduzir o desmatamento tropical, já que as decisões políticas afetam o destino de milhões de hectares de florestas”, afirma Christoph Nolte, hoje na Universidade de Boston (EUA), principal autor do estudo.

Reduzir as emissões que ocorrem pelo desmatamento é uma das chaves para resolver o desafio das mudanças climáticas. A perda de floresta tropical representa cerca de 10% das emissões globais de gases de efeito estufa e é na maior parte resultado da expansão do uso de terras agrícolas.
O pesquisador de política ambiental do IPAM, Tiago Reis, um dos autores do estudo, explica que boa parte das experiências avaliadas pelo grupo vem do Brasil. “Temos muito o que acrescentar no debate sobre políticas públicas e privadas de conservação, com histórico de monitoramento do desmatamento e tratamento do problema nos momentos de alta e de baixa. Em outras palavras, o Brasil pode oferecer lições aprendidas sobre o fenômeno global do desmatamento”, afirma Reis.
Segundo ele, a análise evidencia o papel de relevância do agronegócio moderno na conservação ambiental. “A preservação presta importantes serviços ecossistêmicos, incluindo a manutenção de clima e água favoráveis à produção agrícola, e essa questão deve ser levada em consideração para a continuidade do próprio negócio, principalmente em fronteiras agrícolas”, diz o pesquisador.
O estudo pode ser visto no site da revista (em inglês).


Cientistas alertam para uso consciente das áreas úmidas

Posted on quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017
Assessoria - Pesquisadores da UFMT e de outras instituições brasileiras parceiras ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Áreas Úmidas (INCT-Áreas Úmidas) e ao Centro de Pesquisas do Pantanal (CPP) reforçam a necessidade de coibir práticas de uso não sustentáveis nessas áreas, porque não podemos e não devemos abrir mão de serviços ambientais importantes para a atual e para as futuras gerações. Os cientistas providenciaram informações científicas suficientes para os formuladores de políticas públicas, para tomar decisões adequadas à conservação e uso sustentável. Mas toda sociedade tem que colaborar, respeitando a legislação ambiental e apoiando as políticas de gestão dessas áreas, para diminuir os riscos ambientais com ganhos para toda a sociedade e o meio ambiente. O dia 02 de fevereiro, dia Mundial das áreas úmidas foi instituído pelo RAMSAR para aumentar a consciência sobre o valor delas para a humanidade e o planeta. Este ano, Áreas úmidas para redução de riscos de desastres foi o tema escolhido.

Nesta quinta-feira, dia 2, o INAU/CPP/UFMT e o Sesc Pantanal promovem o debate sobre a importância dessas áreas para a preservação da biodiversidade no Hotel Sesc Porto Cercado. A Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN Sesc Pantanal foi a primeira reserva privada no Brasil designada como Sítio Ramsar, instrumento que reconhece a atuação em áreas úmidas importantes de todo o mundo. Além de palestras, serão realizadas oficinas com a comunidade pantaneira, o alvo são os jovens, que vão aprender a confeccionar câmeras fotográficas através da técnica pinhole. Em seguida, jovens e adolescentes vão percorrer trilhas do Parque Sesc Baía das Pedras para registrar a flora e a fauna pantaneira. Após a revelação, serão selecionadas para uma exposição fotográfica na Unidade Sesc Poconé. As fotografias também podem ser inscritas no Concurso Mundial de Fotos para Juventude, que tem como tema Áreas Úmidas.

As atividades comemorativas do Dia Mundial das Áreas Úmidas prosseguem no dia 3, sexta-feira, no auditório do Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal – INPP, campus UFMT, Cuiabá, e contará com exposição fotográfica, intitulada “Áreas Úmidas de Mato Grosso”, palestras e debates, após apresentação das contribuições do INAU/ CPP na ciência, sociedade e elaboração de políticas públicas.

Também, o Comitê Executivo da Reserva da Biosfera do Pantanal, formado por representantes dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, vai apresentar o plano de ação emergencial em defesa da manutenção do Pantanal com o título internacional de Reserva da Biosfera. O documento foi apresentado e discutido durante a 23ª Reunião do Comitê Internacional de Aconselhamento das Reservas da Biosfera (IACBR 2017), realizada em Paris.

Como é do conhecimento público, o Pantanal foi designado, pela Unesco, como Reserva da Biosfera, no ano de 2000. Entretanto, o IACBR fez sérias recomendações ao governo brasileiro sobre o nível de implementação da RB Pantanal, colocando em risco a permanência deste importante título internacional à maior área úmida continental do planeta.

O Governo Federal acionou os governos estaduais de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul que em sinergia com a sociedade civil estruturou o Conselho Executivo da Reserva da Biosfera do Pantanal. Esse conselho é composto pelo Governo Federal (MMA e ICMBio), Governos de MT e MS e a sociedade civil, representada pela academia, Ongs, proprietários de RPPNs e empresários sustentáveis; e elaborou o Plano Emergencial para a RB Pantanal, com ações de curto, médio e longo prazo que visam a implantação, de fato, deste patrimônio nacional.

Grupo de agências da ONU lança roteiro para Desenvolvimento Sustentável

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ONU - O Grupo Interagencial da ONU no Brasil para a Agenda 2030 lançou uma ferramenta que ajudará governos locais e regionais a implementar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). É o Roteiro para a Localização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: Implementação e Acompanhamento no Nível Subnacional.

A publicação apresenta estratégias e iniciativas que já ocorrem no Brasil e podem ser adaptadas a diferentes cidades e regiões. Ela foi elaborada por diversos organismos da ONU e membros do governo brasileiro, com apoio da ONU-Habitat e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

O roteiro está dividido em cinco eixos: “Sensibilização”, “Defendendo a Ideia”, “Implementação”, “Acompanhamento” e “Para onde vamos a partir daqui?”. Com base na publicação global, lançada em inglês, o documento em português foi adaptado ao contexto brasileiro, incluindo boas práticas dos organismos da ONU no Brasil.

“Os casos relatados pelas agências especializadas, fundos, programas e entidades da ONU no Brasil foram cuidadosamente selecionados por especialistas das mais diversas áreas do conhecimento. Esperamos que a publicação seja útil para a construção de agendas propositivas e comprometidas com a implementação da Agenda 2030 em âmbito local por todo o país”, disse o coordenador do Sistema ONU no Brasil e representante residente do PNUD no país, Niky Fabiancic.

Localização

O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis – é o eixo central do processo de localização. Ele leva em consideração os contextos subnacionais no alcance da Agenda 2030, desde o estabelecimento de objetivos e metas até a determinação dos meios de implementação, bem como o uso de indicadores para medir e acompanhar o progresso.

Para consultar e fazer o download da publicação, acesse aqui. 




Estudo do INPE aponta os riscos da exploração do Cerrado

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IEB - Segundo a pesquisadora do Instituto, Myanna Lahsen, está sob grande ameaça a existência dos ecossistemas e dos recursos naturais que são vitais para a maioria dos brasileiros, bem como para a viabilidade da agricultura.

"Novas políticas públicas são necessárias para promover e integrar este bioma à nação. Em um contexto internacional, esforços importantes estão sendo feitos para preservar as florestas tropicais do Brasil. Enquanto isso, a destruição do Cerrado, o mais antigo bioma do país, avança a passos largos, com poucas controvérsias", afirma Myanna.

No artigo "Desvalorizando e Superexplorando o Cerrado Brasileiro: Por Nossa Conta e Risco", pesquisadores abordam a importância do bioma para frear as ameaças associadas às mudanças climáticas e para o desenvolvimento humano e econômico do país e da região.

Lahsen, que assina o artigo com Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília (UnB), e Eloi Dalla-Nora, também do INPE, ressalta que a beleza e importância ecológica do cerrado são profundamente desvalorizadas, apesar de o bioma ser classificado como um dos 35 hotspots de biodiversidade existentes no planeta devido sua excepcional concentração de biodiversidade endêmica e altos níveis de degradação por conta da exploração econômica.

 Ecossistemas naturais no Cerrado são essenciais para a manutenção das reservas hídricas que abastecem o Brasil. "Os muitos serviços ecossistêmicos fornecidos pela vegetação nativa do Cerrado incluem a regulação do clima e da água doce limpa para grande parte do Brasil, incluindo a Amazônia e países vizinhos. Além de estabilizar o clima regional, a enorme circulação da água correndo através da vegetação nativa do Cerrado forma muitas dos importantes bacias hidrográficas do Brasil e contribui para o sistema subterrâneo do aquífero Guarani.O Cerrado fornece água, tanto para as regiões mais ricas quanto para as mais pobres do Brasil. Ele fornece cerca de 70% da água que flui para o norte para a bacia do Araguaia-Tocantins, para o sul-sudeste à bacia do Paraná, e para o nordeste para a bacia do São Francisco, alimentando 8 das 12 regiões hidrográficas do Brasil (Amazonas, Tocantins-Araguaia, Nordeste do Atlântico Ocidental, Parnaíba, São Francisco Atlântico Leste, Paraná, Paraguai), além da água atmosférica ou subterrânea para outras regiões e países. Isto significa que a estabilidade e o funcionamento dos ecossistemas circundantes em todas essas regiões dependem muito da integridade biológica do Cerrado. Além disso, devido ao fato de que 80% da eletricidade do Brasil vêm de usinas hidrelétricas em rios que têm suas nascentes no Cerrado, a conservação do bioma também é fundamental para a segurança energética do país", escrevem os autores.

Os pesquisadores alertam ainda para a implementação de sistemas de monitoramento regulares para o Cerrado e melhorias na gestão daqueles que já estão estabelecidos, bem como para a diminuição de novos desmatamentos e a restauração de áreas degradadas.

"É preciso cumprir a legislação ambiental brasileira existente e os compromissos internacionais relacionados às mudanças climáticas, conservação da biodiversidade e desenvolvimento sustentável. Mas a resposta requer mais do que soluções técnicas. Por isso estamos chamando também atenção aos problemas estruturais de governança, obstáculos à integração nas decisões econômicas e do desenvolvimento com considerações de sustentabilidade ambiental e do bem estar humano. Nada menos do que a segurança hídrica, alimentar e energética do país está em jogo", ressalta Lahsen.

Para os autores do estudo, a solução passa por melhorar a educação e a participação dos atores locais nas decisões sobre a região, com olhar crítico sobre os caminhos historicamente traçados para o desenvolvimento econômico do país.

 (Com informações do INPE)

Má gestão: autoridades do Mato Grosso alteram limites de área protegida pela 5ª vez

Posted on quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017
WWF-BRASIL - As autoridades do Mato Grosso deram um péssimo exemplo de gestão ambiental no final de 2016 - quando modificaram, por meio de decreto editado pela Assembleia Legislativa daquele estado, os limites da Reserva Extrativista (Resex) Guariba-Roosevelt. Em 21 anos de existência, essa é a 5ª vez que os limites daquela área protegida são modificados.

A Resex Guariba-Roosevelt é uma pequena unidade de conservação, situada nas cidades de Colniza e Aripuanã, no noroeste do Mato Grosso – a mais de 700 quilômetros de Cuiabá. Ela sofre de uma série de problemas ambientais: grilagem, pesca predatória, poluição de rios, desmatamento, expansão agrícola desenfreada e fiscalização deficitária por parte dos órgãos ambientais.

A alteração de limites, no ritmo que ocorre naquela área, representa um enorme risco à conservação da natureza e ao modo de vida das populações tradicionais. Com esta indefinição, fica difícil para o poder público promover monitoramento e fiscalização por lá. Esta medida gera insegurança jurídica, aumenta a especulação imobiliária e causa mal-estar entre as populações que vivem na área - cerca de 260 pessoas, distribuídas em 54 famílias. Além disso, grileiros e fazendeiros aproveitam esta situação para avançar, cada vez mais, sobre as terras que deveriam ser protegidas e ser manter íntegras.

O documento

O decreto que fala desta quinta mudança de limites é o Decreto Legislativo 51. Ele foi publicado no Diário Oficial do Mato Grosso em 28 de dezembro de 2016 e pode ser lido aqui.

As manifestações contrárias não tardaram a aparecer: a Associação dos Moradores Agroextrativistas da Reserva Guariba Roosevelt/ Rio Guariba (Amorarr), que reúne representantes de comunidades tradicionais da região, redigiram uma carta em que chamam a atitude de “retrocesso ambiental” e fazem diversas críticas ao modo como o estado do Mato Grosso tem tratado aquela unidade de conservação.

Um trecho do documento diz: “Este decreto legislativo atesta em seu mais alto poder destrutivo, a falta de capacidade e de vontade em consolidar esta área para uso e segurança das famílias que ali vivem há mais de um século. O retrocesso ambiental é só começo para o massacre cultural de nosso povo. Nossas famílias serão expulsas desta área caso levem esta aberração política à frente”. Eles criaram também um abaixo-assinado, pedindo que o Governo do Estado trate a gestão da Resex com mais seriedade. A imprensa local também começou a repercutir o assunto.

Consolidação

Morador da região e membro do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), Everaldo Dutra contou que o governo do Mato Grosso “nunca teve a capacidade de consolidar a reserva”. “Quem sofre com isso é a população tradicional, que não exige nada além de permanecer, em paz, às margens dos rios Guariba e Roosevelt. É aqui onde seus pais e avós estão sepultados, onde eles nasceram e onde estão criando suas famílias. Este é o direito que o estado do Mato Grosso tem negado a esta comunidade”, disse.

Everaldo contou ainda que, apesar das dificuldades, os moradores de colocações como Cujubim, São Lázaro e Bastos não abrem mão daquele território. “A comunidade lutará sempre para que a reserva seja consolidada, para que seu modo de vida seja respeitado e para que o Meio Ambiente seja protegido. Temos fé na Justiça e contamos com parceiros que apoiam nossa causa”, afirmou.

Dúvidas e incertezas

Para a analista de conservação do WWF-Brasil, Jasylene Abreu, a constante redelimitação da Resex prejudica o modo de vida tradicional das comunidades ribeirinhas. “A Guariba-Roosevelt é a única reserva extrativista do Mato Grosso e foi criada justamente para proteger a biodiversidade da área e os meios tradicionais de vivência naquela região. Mexer nesses limites ameaça esse modo de vida tradicional”, disse a analista.

Vários outros problemas também surgem deste gesto: “Essa mudança constante prejudica a gestão daquela área, diminui a efetividade dela, gera uma série de dúvidas e incertezas que não contribuem com o trabalho de proteção da natureza desenvolvido ali”, explicou Jasylene.

Histórico

Desde que foi criada, em 1996, a Resex Guariba-Roosevelt teve seus limites questionados por grileiros e fazendeiros do noroeste do Mato Grosso, que têm interesse em explorar comercialmente os recursos naturais daquela região. Ela foi oficializada por meio do decreto 952 e na época tinha 57,6 mil hectares. Já nessa época, os fazendeiros entraram na Justiça para anular este decreto de criação, alegando que a Resex foi criada sobre suas propriedades.

Seguiram-se uma série de instrumentos jurídicos que ora diminuíam, ora aumentavam o tamanho da Reserva Extrativista: a lei 7164, de 1999; o decreto 8680, de 2007; a lei 1026, de 2015; e decreto 59, de 2015.

O pedido dos fazendeiros chegou no Superior Tribunal de Justiça (STJ) que, em 2015, promulgou a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 107240. Ela determinava a inconstitucionalidade do decreto que criou a Resex, ainda na década de 90 – contribuindo com o enrosco jurídico envolvendo esta área protegida.

Esforços pela conservação

O WWF-Brasil entende que, por estar localizada na região conhecida como “Arco do Desmatamento”, a Resex Guariba-Roosevelt é fundamental para manter a biodiversidade e a integridade dos recursos naturais da região, como rios e florestas.

Em 2010, junto ao Governo do Mato Grosso, realizamos a Expedição Guariba-Roosevelt, que não só trouxe subsídios para a redação do plano de manejo da reserva, mas também descobriu, naquelas imediações, uma nova espécie de macaco, o zogue-zogue-rabo-de-fogo. A Resex também faz parte do Mosaico da Amazônia Meridional (MAM), uma iniciativa de gestão territorial que ajuda a proteger cerca de 7,2 milhões de hectares no meio daquele bioma.

Cadeia socioprodutiva da castanha-do-brasil no noroeste mato-grossense é tema de seminário em Cotriguaçu

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ICV - Visitas a campo e diálogos a respeito do quadro atual de coleta, beneficiamento, comercialização, financiamentos e políticas públicas concentrarão a programação do Seminário “Desafios e perspectivas da cadeia da Castanha-do-Brasil no Noroeste de Mato Grosso, que será realizado entre os dias 15 e 17 de fevereiro, em Cotriguaçu. O evento é uma realização da Associação de Coletores de Castanha-do-Brasil do PA Juruena (ACCPAJ), do Instituto Centro de Vida (ICV) e da ONF Brasil. A iniciativa tem o apoio do Governo do Estado.

O evento, segundo Solène Tricaud, coordenadora da Iniciativa de Desenvolvimento Rural Comunitário (IDRC) do ICV, promoverá discussões sobre conquistas e desafios que serão levadas à Câmara Técnica do Extrativismo e dos Produtos da Sociobiodiversidade – CTEPS, que está sendo rearticulada no Estado, como também propostas de novas políticas no segmento para regulamentação ambiental e trabalhista, além de apresentar cases regionais. Entre eles, da própria ACCPAJ, como também da Cooperativa Mista de Guariba (Comigua), que beneficia matéria-prima da Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt (única do Estado) e da Cooperativa de Agricultores do Vale do Amanhecer (Coopavam), de Juruena. As duas últimas já comercializam produtos derivados da castanha-do-brasil em escala.

Os participantes realizarão no primeiro dia, visitas monitoradas em áreas de coleta, dentre as quais a Fazenda São Nicolau, da ONF Brasil. Nos dois dias seguintes, haverá apresentações, diálogos e construção de propostas de encaminhamentos.

No dia 16, das 16h30 às 20h, haverá também um espaço aberto ao público em geral, na Câmara dos Vereadores de Cotriguaçu, com feira de produtos locais do extrativismo regional, que envolve além da castanha, outras cadeias socioprodutivas, como do babaçu e apicultura, com doces, bolachas, mel, farinhas, óleos e artesanatos. Os visitantes poderão ainda apreciar exposição de fotos.
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